Resenha: À Sombra do Jatobá- R. C. Maschio

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Ficha Técnica: 

Título: À Sombra do Jatobá

Autor (a): R. C. Maschio

Editora: Expressão & Arte Editora

Gênero: Drama/ Ficção

Edição: 1º

Páginas: 168

Ano: 2018

Sinopse:

À Sombra do Jatobá
Há livros e personagens que participam de muitos momentos de nossa vida, com
quem dialogamos em silêncio, compartilhamos alegrias, frustrações, medos,
ansiedades.  E com quem, sobretudo, aprendemos. O que não é a escrita senão um
compartilhar de experiências deste amadurecimento contínuo de que é feita a vida?
Senão um exercício de alteridade, de humanidade?
O livro de RC Maschio volta cerca de 140 anos no tempo, exorcizando fantasmas que
insistimos em manter colados à nossa psiquê coletiva, mesmo que não mais sob um
Brasil Império. Mas sobre isso falaremos ao final.
É preciso falar antes que “À Sombra do Jatobá” bem poderia ser simplesmente
“Ercília”, a personagem que alinhava o desenvolvimento de toda trama, em sua
condição de escrava – sem direito a quase nada, sequer à vida em alguns momentos -,
mas que persiste em sua autonomia inviolável enquanto ser, convicções e valores.
Esse é o grande aprendizado que Ercília nos deixa, bem como àqueles que lhe estão
próximos na história, como as meninas Teodora e Cândida: A de que podemos
encontrar nosso equilíbrio mantendo-nos invioláveis enquanto alma, espírito, sujeito ou
qualquer outra designação que a filosofia, psicologia ou religião costuma designar para
a nossa individualidade. Isso nada tem a ver com o discurso contemporâneo da
“resiliência”, que tem fins outros que não nos cabe citar aqui. Tampouco tem a ver com
resignação ou passividade, mas sim, com sabedoria.
De outro modo, voltar a este Brasil Império nos possibilita, uma vez mais, resgatarmos
páginas negadas de nossa história por um tipo de pensamento raso e desonesto muito
acentuado nos dias de hoje, que procura livrar-se de muitas responsabilidades que
deveriam estar sobre os próprios ombros.  Difícil saber, nesse ambiente tão
conturbado e polarizado que o Brasil vive nos anos recentes, como será recebida a
história de Ercília e de suas meninas Teodora e Cândida. Mas um escritor não deve
buscar a aprovação, o sucesso, senão dar voz às suas inquietações, ele tira de dentro
de si aquilo que os não escritores não conseguem alcançar. É uma viagem interna, ao
mesmo tempo em que, nesta obra, uma volta ao tempo necessária ao País.

Resenha:

A Sombra do Jatobá é um livro que vai te surpreender de uma forma muito positiva.

A história é ambientada na Bahia,  a cerca de 140 aos atrás e se passa nas terras de um grande fazendeiro/ escravocrata da região. Esse homem é casado e tem duas filhas (Teodora e Cândida), as meninas tem uma ama de leite que se  chama Ercília, que também é uma espécie de curandeira da região.

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Inicialmente eu acreditava que esse fosse ser mais um dos livro que peca pela romantização da condição do escravo, mas a autora R. C. Maschio (@romaschio) fez algo oposto, criando uma história comovente, porem que retrata toda a dor e sofrimento que essas pessoas passaram ao serem sequestradas de seus países e famílias, e inseridas em um ambiente de áridos trabalhos forçados, mesclados a uma rígida pratica de castigos corporais e a total ausência de direitos.

Cândida e Teodora, crescem com uma personalidade forte e com pensamentos opostos ao de seus pais, uma vez que desde cedo aprenderam a amar Ercília ( sua Nanã), que foi mais próximas das meninas que sua verdadeira mãe. Através da relação da escrava Ercília com essa família, nós somos apresentados aos horrores da escravidão, onde crianças podem ser abusadas pelos senhores das fazendas, e o frutos desses estupros se tornam em seres cativos dos próprios pais, que não pensam duas vezes antes de explorar o trabalho desses indivíduos, expondo os mesmos aos mais absurdos meios de humilhação.

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Uma curiosidade é que todas as ilustrações foram feitas pela filha da autora (@larashinstudio ), e devo confessar que fiquei encantada com cada desenho, principalmente o da capa e dos marca páginas, que são lindos.

Pessoal eu só tenho elogios a esse livro, e por isso mesmo não tenho como não o recomendar a todos. Eu inclusive torço fortemente para que a autora faça uma continuação, contando o que se passou com Teodora e Cândida após chegaram a Salvador.

Bjos!

 

 

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