Resenha: O Sol Ainda Brilha – Anthony Ray Hinton

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Ficha Técnica: 

Título:  O Sol Ainda Brilha

Autor (a): Anthony Ray Hinton

Gênero: Literatura Estrangeira / Biografia

Editora: Vestígio

Edição: 1º

Páginas:  320

Ano: 2019

Sinopse:

Em 1985, Anthony Ray Hinton foi preso sob duas acusações de assassinato no estado do Alabama, sul dos Estados Unidos. Atordoado, confuso e com apenas 29 anos de idade, Hinton sabia que se tratava de um erro de identidade e acreditava que a verdade provaria sua inocência, acabando por libertá-lo rapidamente.
Mas sem nenhum dinheiro e sujeito a um sistema de justiça que operava de maneira diferente para um homem negro e pobre do Sul, Hinton foi condenado à cadeira elétrica. À medida que compreendia e aceitava o próprio destino, ele decidiu não apenas sobreviver, mas também encontrar uma maneira de viver no corredor da morte, tornando-se luz na escuridão – para si mesmo e para seus colegas detentos.
O sol ainda brilha é um depoimento extraordinário sobre o poder da esperança nos momentos mais sombrios. O livro de Hinton conta sua dramática jornada de trinta anos de encarceramento e mostra que é possível tirar de um homem sua liberdade, mas não sua imaginação, seu humor e sua compaixão.

Resenha:

É incrível a capacidade que alguns livros tem de nos transportar para um universo completamente diferente do nosso. Em O Sol Ainda Brilha, eu fui inserida no inóspito ambiente do corredor da morte do estado do Alabama.

Em 1985, Anthony Ray Hinton, um homem negro de 29 anos de idade, bom filho, religioso e trabalhador, foi acusado injustamente de cometer alguns latrocínios, onde dois gerentes de lojas de bairros acabaram mortos e algumas centenas de dólares foram subtraídos dos estabelecimentos.

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Anthony estava trabalhando durante o ultimo crime, e se encontrava a diversos quilômetros de distância. Mas isso não foi suficiente pra que as autoridades aceitassem a sua inocência, chegando mesmo a declarar para o acusado que ele seria condenado, pelo simples fato de ser negro é pobre, portanto deveria pagar no lugar de outro negro que de fato cometeu o crime.

Esse livro é uma amostra do mal que o racismo e o preconceito são capazes de provocar em uma sociedade, fazendo com que homens instruídos se achem no direito de agir como bem entenderem, desrespeitando regras e leis previamente estabelecidas, com base em uma crença ilógica que desqualifica outro ser humano pelo simples fato de ter a cor de sua pele num tom diferente da sua.

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Mas o livro também trata de amor incondicional, de uma mãe pelo seu filho, tenho que fazer essa ressalva em relação a senhora Buhlar Hinton, que soube educar seu filho com os melhores valores que um homem poderia ter. E também em relação a Lester Bailey (amigo de infância), que me fez acreditar no poder transformador de uma verdadeira amizade.

Nunca fui a favor da pena de morte, é a história de Ray, me fez continuar ainda mais confiante nesse posicionamento, quando paramos para analisar dados que provam que de cada 5 pessoas condenadas a pena de morte, uma delas foi posteriormente considerada inocente, fica claro como esse sistema de condenação é falho e deve ser sumariamente abolido.

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Fiquei chocada com a descrição feita por Ray, em relação ao cheiro de queimado que ficava no ar após uma execução, fazendo com que eles chegassem a se engasgar com o odor, e como isso fazia com que eles ficavam imaginando que seriam os próximos a sofrerem aquele castigo horrível,  como tinham que lidar com a dor, a insegurança,a  falta de esperança e desolação em uma cela de 1,5 por 2 metros.

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Porém atos como o perdão dos presos afroamericanos em relação a outro condenado, integrante da KKK, que durante sua fé cega nos ensinamentos transmitidos por seus pais, acabou lixando um jovem negro até a morte, me fez ver que não importa o lugar em que você se encontra, por mais desolador que seja, você pode encontrar amor e humanidade.

“O arco moral do universo tende para a justiça, mas a justiça precisa de ajuda. A Justiça só acontece quando pessoas de bem se erguem contra a injustiça. ” pág. 295

Essa frase foi proferida por Bryan Stevenson, o advogado da Equal Justice Initiative, que esteve ao lado de Ray por mais de 15 anos, lutando para provar que esse homem inocente estava sendo injustamente privado de sua liberdade e condenado a uma pena capital, por um estado deficiente que prefere punir um inocente ao invés de admitir que esteve errado todo o tempo.

Por favor leiam esse livro, vocês não vão se arrepender.

 

 

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