Resenha: Porque Crianças Matam: A História Real de Mary Bell-Gitta Sereny

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Ficha Técnica: 

Título: Porque Crianças Matam: A História Real de Mary Bell

Autor (a): Gitta Sereny

Editora:  Vestígio

Gênero: Biografia/ Memórias

Edição: 1º

Páginas: 400

Ano: 2019

Sinopse:

Em 1968, Mary Bell, de 11 anos, foi julgada e condenada pelo assassinato de dois garotinhos em Newcastle upon Tyne, Inglaterra. Antes mesmo de ir ao tribunal, Mary Bell foi apresentada como a encarnação do mal, a “semente ruim”. Mas a jornalista Gitta Sereny, que cobriu o julgamento sensacionalista, nunca aceitou essa explicação. Ao longo dos anos, Sereny se deu conta de que, se quisermos entender as pressões que levam crianças a cometer crimes hediondos, precisamos voltar nosso olhar para os adultos que elas se tornaram.
Passados 27 anos de sua condenação, Mary Bell concordou em falar com Sereny sobre a sua infância angustiante, os dois terríveis atos cometidos no intervalo de nove semanas, o seu julgamento público e os doze anos de detenção. Em Por que crianças matam, Bell e Sereny discutem o que ela fez e o que foi feito a ela, bem como a criança que era e a pessoa que se tornou.
Nada do que Mary Bell disse nos cinco meses de conversas intensas serve como desculpa para seus crimes: ela mesma rejeita qualquer atenuação nesse sentido. Mas sua história devastadora nos força a pensar na responsabilidade da sociedade sobre crianças que são levadas ao limite.

Resenha:

Esse é um livro pesado, que faz com que o leitor reflita a respeito dos motivos que levam uma criança frágil e tida como inocente a cometer um dos atos mais cruéis que existe, o assassinato de outra criança.

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Gitta Sereny é uma jornalista e biógrafa, que por anos se dedicou a escrever livros sobre crianças traumatizadas, muitas delas após terem saído de campos de concentração, onde era submetidas a regimes desumanos, que moldaram suas personalidades de forma determinante.

 

Essa mulher, escreveu um primeiro livro sobre o julgamento de Mary Bell, menina de 11 anos, que foi julgada e condenada pelo assassinato de dois garotinhos de 3 e 4 anos de idade, na Inglaterra.

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Passados 27 anos, ela teve a oportunidade de se encontrar com Mary novamente e essa lhe relatou de forma detalhada vários aspectos de sua vida.  Enquanto Gitta desejava descobrir os motivos que levam uma criança a matar, para que assim tivesse a oportunidade de contribuir para o entendimento e aperfeiçoamento dos mais diversos profissionais que lidam com essas crianças. Mary buscava um tipo de redenção, que só  conseguiria atingir com o enfrentamento dos seus atos, que até então ela tentou evitar.

O livro é dividido em 6 partes, que são: O julgamento, onde a impressão do juiz, do júri e da mídia, já tinham marcado as cartas da condenação de Mary e da libertação de sua cúmplice ( Norma Bell), deixando claro as falhas do sistema judiciário inglês, no que tange ao julgamento de crianças infratoras.

Red Bank, que foi o local onde ela ficou presa de 1969 a 1973, lá ela aprendeu as primeiras noções de moral, graças ao Sr. Dixon, diretor da instituição, ex integrante da marinha, de quem Mary sempre se recorda com carinho.

A prisão, de 1973 a 1980, para a qual Mary foi transferida ao completar 16 anos, o que se mostrou ser um grande erro, já que todo o progresso que vinha conquistando em Red Bank foi sumariamente destruído em meses.

Depois da prisão, de 1980 a 1984, quando ela finalmente foi posta em liberdade condicional ( já que foi condenada a prisão perpétua, e estaria sempre a disposição da justiça), e teve que aprender a lidar com o mundo real, se escondendo da impressa que nunca deixou de persegui-la, e ao mesmo tempo lidando com a responsabilidade de criar sua filha.

De volta a infância, essa parte foi uma das mais difíceis de ler, já que Mary relata todas as atrocidades que sua mãe Betty praticava contra a garota, o que fez com que ela sentisse o desejo de ser cruel com outras crianças, liberando toda a raiva que sentia da mãe. Betty é o real motivo pelo qual Mary matava sem sentir nenhum remorso, já que ela não aprendeu em sua terra infância o sentindo de empatia e compaixão.

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Por fim temos o começo de um futuro, no qual Mary refaz sua vida ao lado de um homem que a ama e lhe fornece a estrutura emociona da qual precisa para criar sua amada filha.

 

Esse é um livro maravilhoso é cheio de camadas, que vai fazer você refletir a respeito das pessoas que cometem crimes, que elas não são simplesmente ruins, que todos nós temos um lado bom é outro mal, como a história do lobo, em que vence o lado que você mais alimenta.

Boa Leitura!

 

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