Resenha: A Cidade Ilhada- Milton Hatoum

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Título: A Cidade Ilhada

Autor: Milton Hatoum

Editora: Companhia de Bolso

Gênero: Literatura Estrangeira

Edição: 1º

Páginas: 104

Ano: 2014

Sinopse:

Desejo e memória nos contos inesquecíveis de Milton Hatoum
Como disse uma vez o escritor argentino Julio Cortázar, o conto é uma pequena e perfeita esfera verbal que guarda uma única semente a ponto de eclodir. A semente pode ser de qualquer natureza — um lugar, um rosto, um episódio —, contanto que as mãos hábeis do bom contista saibam torná-la o ponto central a partir do qual se forma a esfera narrativa. Desse feitio, justamente, são os contos que Milton Hatoum reuniu em A cidade ilhada: relances da experiência vivida recolhidos em tramas brevíssimas, de dicção enxuta, em que tudo ganha nitidez máxima — e máximo poder de iluminação.
As sementes desses contos não poderiam ser mais diversas: a primeira visita a um bordel em “Varandas da Eva”; uma passagem de Euclides da Cunha em “Uma carta de Bancroft”; a vida de exilados em “Bárbara no inverno” ou “Encontros na península”; o amor platônico por uma inglesinha em “Uma estrangeira da nossa rua”. Com mão discreta e madura, Hatoum trabalha esses fragmentos da memória até que adquiram, sem que se adivinhe como ou quando, outro caráter: frutos do acaso e da biografia pessoal, eles afinal se mostram como imagens exemplares do curso de nossos desejos e fracassos.
Uns e outros, aliás, respondem pela rede subterrânea que amarra entre si os contos de A cidade ilhada. Se o desejo — sob a forma do amor, da literatura ou da viagem — leva os personagens a dilatar o raio de sua ação e a transpor as barreiras da infância e da moral, da classe e da província, estes mesmos elementos não se dão por vencidos e apenas aguardam a hora certa para se abater sobre os heróis como uma fatalidade erótica ou histórica que os traz de volta a um centro imóvel: “para onde vou, Manaus me persegue”. Esferas perfeitas ou espirais vertiginosas? Breves como são, as histórias de Milton Hatoum guardam em si a mesma potência expansiva e explosiva que o leitor já conhecia desde Dois irmãos e Cinzas do Norte.

Resenha:

Eu já era apaixonada pela escrita do Milton Hatoum, e isso só se confirmou com essa nova leitura.

A cidade ilhada, é um livro de contos, com textos bem elaborados, e de uma intensidade que emociona o leitor. Aborda temas como a ditadura militar, vingança, amor, politica, morte, suicídio…

Quase todos os contos se passam em Manaus e arredores. O autor faz questão de explorar elementos da flora e fauna de sua cidade natal, além dos costumes do povo ribeirinho, o que acaba por enriquecer ainda mais a leitura.

Muitos dos personagens desse livro são escritores decadentes, ou pessoas que estão de alguma forma ligadas as artes, e que por alguma volta do destino acabaram por ter um fim trágico.

O autor ainda faz questão de incluir ou citar algumas personalidades em seus contos, entre eles: Simone de Beauvoir, Machado de Assis, Eça de Queiroz, Jean Paul Sartre . Euclides da Cunha.

Não tenho como deixar de recomendar a leitura desse e dos demais livros desse autor, não é  de se admirar  que quase todos os seus livro são premiados.

Bjos!

 

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