Resenha: 3096 Dias -Natascha Kampusch

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Ficha Técnica: 

Título:3096 Dias

Autor: Natascha Kampusch

Editora: Verus

ISBN: 9788576861072

Gênero: Literatura Estrangeira/ Biografia

Edição: 1º

Páginas:255

Ano: 2011

Sinopse:

Natascha Kampusch sofreu o destino mais terrível que poderia ocorrer a uma criança: em 2 de março de 1998, aos 10 anos, foi sequestrada a caminho da escola. O sequestrador – o engenheiro de telecomunicações Wolfgang Priklopil, a manteve prisioneira em um cativeiro no porão durante 3.096 dias. Nesse período, ela foi submetida a todo tipo de abuso físico e psicológico e precisou encontrar forças dentro de si para não se entregar ao desespero.

Agora, pela primeira vez, Natascha Kampusch fala abertamente sobre o sequestro, o período no cativeiro, seu relacionamento com o sequestrador e, sobretudo, como conseguiu escapar do inferno, permitindo ao leitor compreender os processos de transformação psicológica pelos quais passa uma pessoa mantida em cativeiro, sofrendo todo tipo de agressão física e mental imaginável.

Resenha:

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O livro traz  um relato autobiográfico do caso de sequestro de Natascha Kampusch. A garota foi sequestrada no caminho para escola em 02 de março de 1998.

Pela primeira vez Natascha obteve autorização para ir sozinha a escola, ela tinha na época apenas 10 anos.  No dia a garota estava triste por ter discutido com a mãe, ela andava cabisbaixa e chorava durante o percurso, isso foi suficiente para chamar a atenção do sequestrador. Com essas características ela acabou sendo enquadrada em uma triste estatística, onde crianças sem aparente atrativo físico,  com alguma debilidade física ou mental ou que se mostre vulnerável são mais propensas a serem vítimas de abusos e sequestros.

Na época estavam ocorrendo vários casos de sequestro, abuso sexual e assassinato de crianças no país. Chegando mesmo a haver uma maior preocupação dos pais e professores em alertar as crianças para o risco de manterem contato com estranhos.

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Natascha passou quase 8 anos e meio presa, pelos primeiros 6 meses ela foi mantida exclusivamente em um cativeiro subterrâneo, sofrendo todos os tipos de tortura psicológica, sensorial ( ausência de luz por períodos extensos ou exposta a barulhos intensos). o sequestrador fez questão de manter a garota apavorada sobre a constante ameaça de ser entregue a uma quadrilha que cometiam abuso sexual infantil, filmando e posteriormente matando as vítimas.

Ela também recebia informações de que seus pais se recusavam a pagar o resgate, e que não a amavam e nem a queriam de volta. O que fez com que a garota imaginasse que o sequestrador era o único que a queria e a estava protegendo do mundo. Tudo é claro foi meticulosamente planejado por ele.

Após sua primeira menstruação Natascha passou a sofrer abusos físicos, ela deixou de ser vista como uma criança que tinha de ser protegida por ele, e  passou a ser vista como uma escrava, tendo que se submeter a todos os tipos de abusos físicos.

Natascha serviu como emprega, executando tarefas de limpeza da casa, como servente de obra na reforma da casa e do apartamento do sequestrador, realizando serviços que iam além de suas forças. Nessa época ela era diariamente espancada, sofria privações alimentares severas chegando a pesar 39 kg aos 18 anos , com um 1.8 metros de altura. O que a colocava no índice de subnutrição extrema.

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O interessante é notar que apesar de sair algumas vezes de seu cativeiro, Natascha foi incapaz de pedir ajuda por muitos anos. A prisão psicológica era tão forte que ela tinha mais medo do mundo externo do que de seu agressor. Ela chegou a ir a uma farmácia, a uma loja de material de construção, a casa de uma amigo do sequestrador, foi esquiar, foi vista por uma vizinha que a cumprimentou através do muro pelo menos duas vezes, foi ao apartamento do sequestrador ( onde estava ajudando na reforma) e até mesmo foi parada em uma blitz policial.  Em todos os casos o sequestrador estava junto e a ameaçava de morte se ela pedisse ajuda, além de falar que mataria todos que encontrasse.

Quando finalmente conseguiu escapar a garota não encontrou ajuda logo de cara, as pessoas agiam com desconfiança e insegurança em relação a ela.A própria policia não soube como abordar o caso, chegando a encobrir os erros cometidos.

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O pior foi a população que passou a critica-la por ela não aceitar ser colocada na situação de eterna vitima que nunca se recuperaria. Ela chegou a receber diversas ameaças e propostas no mínimo imorais de pessoas que diziam querer ajuda-la, oferecendo trabalho de faxina em troca de favores sexuais. Muitos passaram a ser agressivos com ela por ela vender sua história ficando rica com isso, passando a viver sozinha em uma apartamento, andando bem vestida e comprando tudo o que ela sempre quis e lhe foi negado por tanto tempo.

Mas a garota foi firme em sua decisão, ela se manteve sã no cativeiro e não seria o mundo real que a dobraria. Ela nunca mais aceitou ordens, não aceitou que lhes dissessem o que ela deveria fazer e falar, ela passou muito tempo submissa, agora a sua vida finalmente lhe pertencia e ela seria a única a determinar até onde poderia ir. Natascha mostrou-se uma mulher inteligente, independente e dona de uma fibra moral invejável. Ela é de fato um exemplo de superação.

Bjos!

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