Resenha: Não Digas Nada à Mamãe- Toni Maguire

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Ficha Técnica: 

Título: Não Digas Nada á Mamãe

Autor: Toni Maguire

Editora: Edições ASA

Gênero: Memórias e Bibliográfico 

ISBN: 9789892302973

Edição: 1º

Páginas: 272

Ano: 2008

Sinopse:

“Sentia-me certa do amor da minha mãe. Amava-a e sabia que ela me amava. Ela havia de mandá-lo parar.”

Toni tinha apenas seis anos quando o seu mundo ruiu. Quando o pai teve a sua primeira atitude obscena, a pequena Toni arranjou coragem para contar à mãe o que tinha acontecido, certa de que esta traria a normalidade de volta à sua vida. Mas a mãe fez o impensável: disse-lhe para nunca mais falar nesse assunto. Quando os abusos se intensificaram, o pai ameaçou-a. Toni estava proibida de contar à mãe ou a qualquer outra pessoa. Aquele pesadelo teria de permanecer “o nosso segredo”.
Aos catorze anos, Toni engravidou do pai e partilhou pela primeira vez o seu terrível segredo.
Mas, tal como o pai previra, todos a culparam. Apesar de o pai ter sido preso, a jovem continuou a sofrer: quase morreu devido a um aborto, e foi cruelmente julgada e rejeitada pela família, professores e amigos. Após um período de profunda depressão, Toni enfrentou a única verdade na sua vida: para poder aspirar à felicidade, teria de contar apenas consigo própria.

“Não Digas Nada à Mamã” é o relato verídico e tocante da pior das traições; uma história de coragem que inspirou centenas de milhares de leitores em todo o mundo.

Resenha:

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Livro de memórias, que relata os primeiros anos de vida da autora, enquanto essa ainda se chamava Antoinette.

O testemunho de Toni Maguire é emocionante. Durante todo o relato o leitor se sente atônito diante de tamanha desumanidade praticado pelo pai da autora e ao mesmo tempo é impossível compreender como a sua mãe escolheu se omitir diante de toda aquela crueldade que vinha sendo cometida contra sua filha.

Toni se ver obrigada a regressar a  Irlanda, uma vez que a mãe que ela tanto amou a vida inteira estava com câncer em estado terminal. A jovem mulher fica chocada ao ver a condição frágil de sua progenitora que antes era tão altiva.

Nesse ponto, Toni ainda mantém a esperança de que sua mãe venha a demonstrar arrependimento de sua conduta passada.Assim ela poderia ter restaurada a ilusão de que um dia a sua mãe a amou, não sabendo apenas externar de forma adequada esse sentimento.

Sua mãe passa os seus últimos dias sobre os cuidados da filha, que nunca se afastou de seu  leito, fazendo sempre o possível para tornar sua condição o menos dolorosa possível. Apesar disso a senhora morre em meio a uma dor inimaginável e sem revelar nenhum sinal de culpa, preferiu guardar o seu amor para o único que verdadeiramente amou e protegeu a vida inteira e até o fim manteve a ideia de que ela era a única vitima da situação.

Esse livro dilacera a alma do leitor. E impossível não sentir empatia pela jovem Antoinette que com apenas 6 anos de idade passa a sofre abusos sexuais contantes por parte de seu pai. Além da tentativa desse de descaracterizar a sua personalidade, a rebaixando a categoria de objeto usado e descartado quando não convém.

Antoinette, sofre todos os tipos de abusos que se possa imaginar: físico, sexual, psicológico, emocional. Mas fica claro durante toda a obra que sua maior dor foi causada  pelo descaso de sua mãe, que preferiu fechar os olhos e manter-se fiel ao seu pai, vindo a corroborar com a pratica desse, muitas vezes a reforçando.

Aos 14 anos Toni fica gravida, sua mãe com a ajuda de um médico a obriga a fazer um aborto, ela quase vem a falecer em decorrência deste ( feito após 3 meses de gestação). Seu pai é preso, apesar disso sua família o perdoa. O mesmo não acontece com a garota, sua mãe e demais parentes ficam contra ela, alegam que ela permitiu que aquilo fosse feito, afinal ela nunca contou a ninguém, sua amigas, professoras e sociedade lhe viraram as costas. Ela era vista apenas como a garota que mantinha relação com o pai a 7 anos.

Como é possível que as pessoas acreditassem que uma garotinha de 6 anos era culpada do abuso sofrido? Como não perceber que a lei do silencio reina nesses caso? Ela foi acostumada a ver as pessoas lhe negando ajuda, se omitindo, não podia contar com ninguém isso era claro.

Fiquei emocionada com a coragem e  a força demonstrada por Toni. Mas também acho incompreensível a escolha feita por sua mãe, isso foi o que mais me incomodou na história. Afinal tudo seria tão diferente se essa tivesse tomado uma atitude.

Enfim, essa é uma obra intensa. Que traz um relato visceral do que aconteceu com a autora. Serve como alerta a todos, nos lembrando que devemos estar atentos as sutilezas da mudança de personalidade dos que nos cercam. Afinal isso pode acontecer em qualquer lugar, em qualquer família.

Bjos!

 

 

 

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