Resenha: A Escrava Isaura- Bernardo Guimaraes

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Ficha Técnica: 

Título: A Escrava Isaura

Autor: Bernardo Guimaraes

Editora: Moderna Editora

Gênero: Literatura Brasileira

ISBN: 8516039722

Edição: 2º

Páginas: 128

 

Sinopse:

Isaura representa tudo o que de bom pode haver na natureza humana: a bondade, a nobreza de caráter, a pureza, a beleza, a humildade. Ela é a vítima do mal, simbolizado por Leôncio, que reúne qualidades baixas, como bestialidade, torpeza de caráter, rancor e mesquinhez. O grande conflito que se cria entre os dois personagens advém sobretudo da posição que ocupam na sociedade: ela, escrava, e ele, senhor. Há, portanto, no romance uma deliberada intenção de criticar a escravidão enquanto instituição injusta.

Resenha:

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A Escrava Isaura é um romance de Bernado Guimarães, escrito em 1875, durante o período em que culminou a campanha abolicionista no país, logo o mesmo foi de grande importância na época e ainda o é hoje.

Isaura é a personagem de uma escrava branca, bem educada, refinada, criada pela dona da casa como se fosse sua filha, após a morte de sua verdadeira mãe, que sofreu na pele as consequências de ter rejeitado o seu senhor e se entregado ao capataz da fazenda.

Apensar de ser muito querida e estimada por sua senhora, Isaura sempre foi tida como uma escrava, tanto que sua dona a tratava como um objeto do qual não se via capaz de abdicar.

Sua senhora tinha desejo de liberta-la e de lhe dispor uma boa soma em dinheiro para que essa tivesse uma vida confortável, mas não chegou a fazer isso em nenhum momento, e após sua morte seu desejo foi deixado de lado por seu marido e posteriormente por seu filho.

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Esse livro teve algumas adaptações para a TV, sempre atingindo grande sucesso de audiência. Já na época em que foi escrito o romance atingiu em sua grande maioria o público feminino que se compadecia dos sofrimentos da mocinha (pouco abordados) e se encantava com o amor que surgiu entre essa e Álvaro.

Isaura é constantemente perseguida por seu vil senhor “Leôncio”, nunca cedendo aos seus caprichos. Também era alvo de desejo de outros personagens, sendo sempre atormentada por esses. Isso devido a seus encantos e condição de cativa.

Bernardo Guimarães não abordou de forma ampla os castigos e sofrimentos que um escravo sofria naquela época, preferindo se focar no romance. Apenas o personagem e Álvaro e seus amigos de faculdade falavam esporadicamente sofre o absurdo que era permitir tal regime em um país civilizado.

Isaura conhece Álvaro quando  fugiu com seu pai para o Recife, evitando assim que seu senhor viesse a abusar dela. Álvaro se apaixonou perdidamente por Isaura, e após conhecer a real situação de sua amada se predispôs a fazer o impossível para liberta-la. Vindo a obter êxito em sua empreitada, se valendo das dividas que Leôncio acumulou ao longo dos anos.

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O romance de fato é muito envolvente, a leitura é fluida tanto em decorrência da escrita simples como do pouco número de páginas. E por ser um romance histórico que faz parte das obras clássicas de nossa literatura, já se encontra por si só super recomendado.

Apesar disso devesse notar uma sutil contradição na obra, uma vez que o autor por diversas vezes exaltou as qualidades de Isaura, deixando claro que essa era uma escrava branca, de traços delicados, de sutil beleza e boa educação, passando despercebida entre as grandes damas da sociedade, uma vez que se igualava a elas e até as superava em seus atributos. Isso porque não possuía nenhum traço africano acentuado e não se portava como as escravas, que não eram educadas.

Logo há de se perceber que para uma obra que tinha o intuito de denunciar o sistema escravista, essa exaltação as características brancas de Isaura não faz sentido. Dizem que o autor quis com isso atingir o público feminino que se identificaria com a mocinha, isso realmente aconteceu, mas acredito que a obra perdeu um pouco de sua força quando foi feita essa escolha.

Bjos!

 

 

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