Resenha: Memorial de Aires- Machado de Assis

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Ficha Técnica

Título: Memorial de Aires

Autor: Machado de Assis

ISBN: 9788508131891

Edição: 7

Editora: Ática

Páginas: 168

Tipo da capa: Brochura

Ano: 2011

Gênero: Memórias/ Histórico

Resenha

Último livro escrito por Machado de Assis, após a transição do estilo literário romântico para o realista.333

Situado historicamente no  período do final do segundo reinado e início da república (1889), o livro trás um relato resumido dos aspectos sociais, culturais e econômico da época, bem como toda a movimentação politica pré e pós abolição da escravatura.

Esse livro em particular e cheio de sentimento de melancolia e pesar, muitos acreditam que esse fato se deve em grande parte a perda que o autor sofreu de sua esposa Maria Carolina, com quem tinha uma relação de mútuo respeito e admiração. Tornando-se o livro em parte autobiográfico, um vez que o casal Aguiar reflete a harmonia e cumplicidade do casal Assis, além de  tem o fato de que ambos os casais, tanto o da ficção quanto o real, serem inférteis.

Memorial de Aires, foi escrito na forma de diário, ou como o narrador e personagem protagonista Aires prefere, na forma de apontamentos das relações pessoais, para que essas não se percam com o tempo, pois há no personagem uma necessidade de transcrever suas memórias no papel, seu companheiro fiel.

O conselheiro Aires e um homem sexagenário, que retornou ao Rio de Janeiro após a sua aposentadoria como diplomata. Ele passa então a se acostumar com sua antiga cidade e a  aceitar sua condição de homem de idade avançada, já sem grandes ambições. Dedica-se então as relações inter-pessoais.

Ao contar de um ano de seu retorno ao Rio, Aires e convidado por sua irmã viúva Rita, para ir com ela ao cemitério, rezar em agradecimento ao seu retorno junto ao tumulo da família. Lá ele se apercebe da figura de Fidélia, sobrinha viúva do desembargador Campos, que com ele reside. Os dois irmão fazem então uma aposta, na forma de gracejo em que Aires deveria se casar com Fidélia, uma vez que não acha que essa, moça tão jovem e formosa deve manter-se na condição de viúva, apesar do amor que dedicava ao falecido marido.

Ao frequentar o casal Aguiar, Aires passa a criar afeição por esses e por Fidélia, passando a se informar com frequência sobre a vida dos três.

Na busca por entender e relatar em seu diário os acontecimentos rotineiros, o personagem passa a fazer uma sutil analise, da relação traçada entre vivos e mortos, e como os vivos devem se portar em relação ao seus entes queridos já falecidos, não deixando de seguir com suas vidas, mas também não desrespeitando a memoria daqueles.

Há ainda na historia os personagens: Dona Cesária, mulher que adora falar mal da vida alheia, em particular da de Fidélia, a quem não gosta particularmente.

Barão de Santa-Pia, pai de Fidelia, com quem não mantem relacionamento, embora passe a dar sinais de que vai perdoar e voltar a manter relações com a filha, em determinada parte do livro.

É Tristão, afilhados dos Aguiar, a quem na falta de filhos o trataram como se esse o fosse, até que ele foi com seus verdadeiros pais morar em Portugal. A história passa a tomar novos contornos com o retorno deste.

Interessante mesmo é analisar como o autor retratou a vida familiar em seus personagens, havendo até semelhança entre os nomes ( Aguiar e Assis, Dona Carmo e Carolina).

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