Resenha – Serial Killers: Made in Brazil – Ilana Casoy

4444

Ficha Técnica:

Título: Serial Killers: Made in Brazil

Autor: Ilana Casoy

Gênero: Crimes reais/ Psicologia/ Policial (formato entrevista)

ISBN: 978-85-66636-29-1

Edição: 1

Páginas: 358

Ano: 2014

Editora: Darkside

Lido em : junho 2015

Sinopse da Darkside:44

 Após o sucesso do seu primeiro livro, Serial Killers: Louco ou Cruel?, Ilana Casoy dedicou-se a uma pesquisa rigorosa para investigar os serial killers brasileiros, no que viria a ser o primeiro livro do gênero dedicado aos assassinos em série do Brasil. Foram cinco anos de pesquisas, visitas a arquivos públicos, manicômios e penitenciárias, além de entrevistas cara a cara com personificações do mal em terras tupiniquins, para compor um inquietante roteiro com rigor investigativo de como, por quê e com que métodos os serial killers brasileiros atuam. Em Made in Brazil, Casoy relata sete casos de serial killers brasileiros, três dos quais ela entrevistou pessoalmente: Marcelo Costa de Andrade, o vampiro de Niterói, um dos casos e depoimentos mais chocantes do currículo da autora; Francisco Costa Rocha, o Chico Picadinho; e Pedro Rodrigues Filho, o Pedrinho Matador. Um relato cruel feito pelos próprios assassinos, conduzido com maestria por quem entende do assunto, que procura guiar o leitor pela sinuosa mente de pessoas frias e com movimentos mais que premeditados para o mal. Além deles, a autora se debruça sobre a vida e os crimes de José Augusto do Amaral (Preto Amaral), Febronio Índio do Brasil, Benedito Moreira de Carvalho (Monstro de Guaianases) e José Paz Bezerra (Monstro do Morumbi).

Resenha

O livro em questão foi relançado pela editora Darkside, fazendo parte de um box intitulado “Arquivos Serial Killers”, que contem dois livros ( Serial Killers: Made in Brazil e Louco ou cruel). O box é lindo, super bem estruturado, os livros são cheio de imagens, tanto dos assassinos, como da reconstrução dos crimes, laudos médicos, fichas técnicas, recortes de jornais da época, cartas que alguns assassinos trocaram com a autora.

A capa de ambos os livros são lindas, em relevo, vem com marcadores de texto combinando com a capa. A escrita que inicialmente eu achei que seria difícil, técnica, se mostrou de fácil compreensão, com textos bem escritos e articulados, frases curtas e diretas. A diagramação foi feita na medida, ficando bem definido o espaço para texto, imagens, fotos, em alguns momentos são incluídas legendas para facilitar a compreensão.

No título do livro já vem delimitado o campo de pesquisa realizado, ou seja, assassinos em serie brasileiros. Tendo sido realizado um apanhado de sete casos de maior notoriedade, restando claro que em casos de psicopatia não há que se delimitar espaço geográfico ou temporal.

4

Os casos são expostos de forma cronológica, iniciando-se com José Augusto do Amaral ( O Preto Amaral), notório assassino da década de 20. Iniciou sua trajetória de transgressões com casos de vagabundagem e furto, passando posteriormente a atentar contra a vida de crianças carentes. Foi preso no inicio do ano de 1927, após sua prisão os crimes pararam. O assassino foi reconhecido por três vitimas que conseguiram escapar, a ele são atribuídos vários crimes, muitos casos de desaparecimento de crianças da época ficaram sem solução. Preto Amaral morreu em 2 de julho de 1927, aos 55 anos de tuberculose pulmonar, na época ele se encontrava em prisão preventiva, nunca chegou a ser julgado pelos assassinatos.

O terceiro caso e o de Benedito ” Monstro de Guaianases”, ao todo violentou 29 crianças, apenas duas sobreviveram aos ataques, sendo na maioria contra meninas, apesar de ter molestado dois meninos na faixa dos 6 anos. Alegava sofrer de compulsões sexuais incontroláveis, chegou a cometer dois crimes por semana. Foi diagnosticado e considerado inimputável, sendo recolhido ao Manicômio. Vindo a falecer em 1976 de enfarte.

“Fiz tudo isso sem pensar. Cuide de sua vida e trate de me esquecer”. – Benedito à esposa. Pág. 67

Quarto caso analisado é do Francisco Costa Rocha ” Chico Picadinho”, comete dois crimes de grande notoriedade na época, o primeiro em agosto de 1966, contra Margareth Suida, mulher que o fazia lembrar da mãe. Ele a estrangula até essa vir a óbito, logo após começa a mutila-la para facilitar quando fosse se livrar do corpo. Foi preso e cumpriu pena por esse crime, saindo em liberdade condicional em 1970. Em outubro de 1976, comete novo crime contra Ângela, dessa vez o crime foi mais brutal, atribuindo a isso o fato dela ser uma prostituta, de ter cobrado pelo serviço e por ser parecida com sua segunda mãe de criação, uma mulher negra.

Entre dezembro de 2003 e janeiro de 2004 foi entrevistado por Ilana Casoy, juntamente com o psiquiatra responsável pelo caso. O assassino veio posteriormente a lhe enviar algumas cartas que estão contidas no livro.

Quinto assassino, José Paz Bezerra ” monstro do Morumbi”, violenta e mata diversas mulheres, a maioria na faixa dos 40 anos, mostra um requinte de crueldade e sadismo indescritível. Foi preso em Bélem do Pará, onde cometeu 3 crimes, vindo a cumprir pena pelos mesmos até ser transferido para São Paulo, onde era acusado de 21 assassinatos. Foi solto em 2001.

Sexto caso e o de mais difícil leitura e o do Marcelo Costa de Andrade ” Vampiro de Niterói”. Violentou e assassinou 13 crianças com idade inferior aos 13 anos, pois acreditava que escolhendo crianças dessa faixa etária e cometendo crimes absurdamente cruéis, estas iria direto para o céu. Foi entrevistado por Ilana Casoy, relatando com calma e requinte de detalhes os crimes cometidos contra cada criança, sendo esse relato transcrito no livro. Encontra-se recolhido em um Manicômio Judicial.

Sétimo e ultimo caso é o de Pedro Rodrigues Filho ” Pedrinho Matador”, cometeu mais de 70 assassinatos, 40 deles na prisão. Seu primeiro crime foi cometido aos  14 anos,contra o subprefeito de sua cidade natal e um vigia de escola, para vingar a demissão injusta de seu pai ( vigia de colégio) que foi acusado de roubar merenda escolar, sendo demitido assim sem nenhum direito. Atualmente tem 51, encontra-se preso e a maioria de seus crimes foi por vingança.

” Desafio qualquer ser humano da face da terra que queira apontar os meus defeitos, sem ter que dar margem para apontar os seus erros”- Pedrinho Matador.Pág. 289

O livro é bem escrito, cumpre a proposta de relatar casos ocorridos entre 1920 a 1990. É recheado de imagens, fotos dos assassinos, arquivos policiais, laudos médicos, o que torna de fácil e ágil a compreensão. A autora esmiúça o histórico familiar dos personagens, buscar entender a motivação dos crimes, em 3 casos e auxiliada pelo próprio assassino, esses foram bem detalhistas nas entrevistas. A autora expõe ainda a situação judiciaria dos assassinos que se encontram vivos, chegando a entrevistar os policiais e delegados envolvidos nos casos, assim como os advogados de defesa.

Ilana Casoy, fez uma pesquisa de 5 anos para escrever o livro. Ela demonstra com propriedade como o meio social, em que está inserido o individuo, tem papel decisivo na sua trajetória. Em todos os casos os assassinos vinham de famílias com histórico de agressão que culminou em lares desfeitos.

Esse livro mostra a face do mal bem de perto, tornando-se necessárias fazer varias pausas, para digerir o que foi escrito. Pensar que todos os casos são reais, nos faz ter consciência da necessidade de estudar, conhecer e evitar a ocorrência de casos similares no futuro.

Um comentário em “Resenha – Serial Killers: Made in Brazil – Ilana Casoy

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s